CAPACITISMO NO MEIO ACADÊMICO

Abril Azul – Mês da Conscientização sobre o Autismo

Abril representa, simbolicamente, o mês da introdução de pessoas portadoras de autismo no ambiente profissional e acadêmico. Sendo assim vamos entender um pouco sobre o que é capacitismo, um termo de caráter preconceituoso, para a qualificação de pessoas com deficiência como incapazes e como ele é enfrentado pelas pessoas dos vários meios sociais.

Capacitismo: o que é e como se manifesta?

A princípio de tudo, o Capacitismo se caracteriza por toda forma de discriminação que qualifica pessoas com deficiência como indivíduos incapazes de pensar e atuar socialmente. 

Essas atitudes capacitistas que embora pareçam absurdas, são bem presentes e geralmente se demonstram de forma inconsciente em atitudes notadas por indivíduos, principalmente no meio acadêmico e profissional, impedindo-as de desempenhar uma participação plena e efetiva, limitando seu aprendizado e atrasando seu processo de autonomia.

Se parar para pensar é uma atitude muito negativa, pois é considerar que pelo fato do indivíduo portar algum estado de deficiência, o mesmo não tenha competência em se desenvolver ou de ser inserido em grupos sociais, encontrando assim, esses grupos à margem da sociedade. 

É notado que essas atitudes marcam fortemente a vida e as formas de como essas pessoas com deficiência se relacionam com suas famílias, nos espaços escolares e na sociedade em geral, deixando-os reclusos e com o sentimento de incapacidade.

Mas o que caracteriza a deficiência?

Segundo a Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência, nos traz duas atualizações, a primeira de 1989, que diz que  “(…) no âmbito específico do setor, cabe registro a Classificação Internacional de Deficiências, Incapacidades e Desvantagens (CIDID), elaborada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que definiu deficiência como toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica; a incapacidade como toda restrição ou falta – devida a uma deficiência – da capacidade de realizar uma atividade na forma ou na medida que se considera normal para um ser humano; e a desvantagem como uma situação prejudicial para um determinado indivíduo, em consequência de uma deficiência ou uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho de um papel que é normal em seu caso (em função da idade, sexo e fatores sociais e culturais).”

Essa primeira análise da OMS, determinou de certa forma uma política capacitista, sendo assim, 10 anos depois, houve uma segunda atualização onde foram reconsiderados e retirados vários pontos: “(…) CIDDM-2 concebe a deficiência como uma perda ou anormalidade de uma parte do corpo (estrutura) ou função corporal (fisiológica), incluindo as funções mentais. Já a atividade está relacionada com o que as pessoas fazem ou executam em qualquer nível de complexidade, desde aquelas simples até as habilidades e condutas complexas. A limitação da atividade, antes conceituada como incapacidade, e agora entendida como uma dificuldade no desempenho pessoal. A raiz da incapacidade é a limitação no desempenho da atividade que deriva totalmente da pessoa. No entanto, o termo incapacidade não é mais utilizado porque pode ser tomado como uma desqualificação social. Ampliando o conceito, essa Classificação Internacional inclui a participação, definida como a interação que se estabelece entre a pessoa com deficiência, a limitação da atividade e os fatores do contexto socioambiental.

Para explicar o termo citado acima, Dias (2013, p.2), nos diz que “capacitismo é a concepção presente no modelo social que lê as pessoas com deficiência como não iguais, menos aptas ou não capazes para gerir a própria vida”. 

Comentários que, por exemplo, consideram uma pessoa com deficiência como herói, pois esta trabalha ou estuda, pode ser considerado capacitista, conseguimos perceber que nesse tipo de comentário, nega-se a capacidade de uma pessoa com deficiência em fazer atividades que são consideradas normais, colocando a deficiência como um fator limitante para aquele indivíduo.

A lógica capacitista se manifesta tanto pela ausência de acessibilidade física nos mais diversos ambientes, negando aos estudantes com deficiência o direito autônomo de ir e vir, como por tantas outras barreiras que impedem o acesso à comunicação e à informação.

Mas, e nas escolas? 

Nas escolas o buraco parece ser mais profundo do que em teoria, pois podemos observar a presença da exclusão de crianças e adolescentes com deficiência por meio de um currículo “oculto”. 

O currículo escolar define o funcionamento de todo um sistema educacional, sendo bem característico do ambiente escolar, já o currículo oculto acontece nas relações cotidianas da escola, mas não de forma explícita, envolve a forma como o professor apresenta aos seus alunos, os valores atribuídos às pessoas, coisas e acontecimentos, de forma geral, é constituído por todos os aspectos do ambiente escolar que, sem fazer parte do currículo oficial, contribuem, de forma implícita, para aprendizagens sociais relevantes. Acontece que muitas vezes são manifestadas de modo hierárquico, discriminatório e excludente.

E como o capacitismo se manifesta no ensino superior?

As cicatrizes do capacitismo também se mostram no ambiente universitário que, apesar de ter alcançado avanços significativos do ponto de vista tecnológico e intelectual, ainda se mantém preso a crenças equivocadas acerca da incapacidade de pessoas com deficiência.

Segundo o IBGE, entre os anos 2017 e 2018, as matrículas de pessoas com deficiência no ensino superior aumentaram mais de 70%, passando de 2.962 estudantes em 2017, para 5.053 (IBGE, 2017; Censo Superior da Educação, 2018). Apesar do crescimento, pessoas com deficiência (PcD) ainda representam apenas 0,52% do total de matriculados em cursos de graduação do Ensino Superior, com 43.633 alunos em 2018.

Por outro lado, conseguimos observar que a adoção de medidas que buscam ampliar as possibilidades de permanência e participação destes indivíduos nas diversas atividades acadêmicas é negligenciada, tanto pelos gestores, como por boa parte dos docentes e outros segmentos que compõem a comunidade universitária.

Como podemos refletir? 

Compreender a opressão capacitista implica, portanto, assumir um compromisso político perante as pessoas com deficiência, de modo a permitir que a sociedade reconheça que, mais que um corpo fisicamente impedido, é na mentalidade e no imaginário social, disseminados por meio de uma série de artefatos culturais discriminatórios, que se encontra a raiz dessas manifestações tão perversas de exclusão.

Esse texto é para você que se familiarizou com várias situações onde inconscientemente adotou uma abordagem negativa e tomou pré-conceitos sobre uma pessoa com deficiência, fomentando a não seguirem caminhos acadêmicos, profissionais ou quaisquer outros grupos, ainda há tempo de mudança e transformar atitudes que pareçam ser irreversíveis em atitudes que podem gerar um impacto tão grande na vida dessas pessoas.
Agora se você foi uma dessas pessoas que se sentiu à margem da sociedade e recebeu vários: “Não, infelizmente você não é capaz”, não se desanime, pois o mundo tem várias portas e apenas uma delas se fechou. Aqui trago um exemplo, o grande físico Stephen Hawking, portador de esclerose lateral amiotrófica, escutou na sua infância que nunca passaria dos vinte anos, e em 2018 faleceu com 76 anos com várias contribuições para a ciência moderna se tornando um dos maiores físicos em sucessão de Albert Einstein.

Créditos:

Redigido por: Luciana Rodrigues e Felipe Froes

Revisado por: Eduarda Resende e Raiane Amstalden

Referências:

  • VENDRAMIN, Carla. Repensando mitos contemporâneos: o capacitismo. Portal PubliOnline – Instituto de Artes. Universidade Federal de Campinas – UNICAMP.  2019. Disponível em: <https://www.publionline.iar.unicamp.br/index.php/simpac/article/download/4389/4393>. Acesso em: 20 abr. 2021. 
  • POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/MatrizesConsolidacao/comum/37518.html#:~:text=No%20âmbito%20específico%20do%20setor,psicológica%2C%20fisiológica%20ou%20anatômica%3B%20a

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